As opções para esta resposta ficarão restritas aos redatores e falantes da língua inglesa, já que a pesquisa que identificou o grande líder de fake news deste momento foi feita por uma universidade norte-americana, a Cornell University, no estado de Nova York, a quase 400 quilômetros da cidade de mesmo nome. Ela verificou apenas textos em inglês.

(Para quem quiser conhecer mais sobre a universidade de 150 anos e seu maravilhoso campus, recomendamos este vídeo.)

Inicialmente, o texto da pesquisa já ressalta que a Organização Mundial da Saúde declarou que uma “infodemia” paralela de desinformação tem minado os esforços para combater a pandemia de Covid-19 neste momento. Assim, eles resolveram identificar quais têm sido os tópicos de desinformação mais relevantes que saíram na imprensa de 1º de janeiro a 26 de maio de 2020 e, para isso, verificaram 38 milhões de artigos publicados na mídia tradicional em inglês no mundo. Deles, 1,1 milhão divulgou ou ampliou informações falsas.

Dos 11 temas identificados como falsos e amplamente divulgados, o vencedor foi o de curas milagrosas, que apareceu mais de 295 mil vezes. Sobrou até para o Bill Gates, que ficou em quinto lugar nesta lista: como há uma palestra dele no TED em 2015 alertando sobre o perigo de uma pandemia, surgiram boatos de que ele estaria ganhando com esta. E a última colocada dessa relação foi a sopa de morcego, com cerca de 6 mil citações – saiu um boato de que chineses consumindo o prato seria a grande fonte para disseminar coronavírus.

E por que isso é preocupante? Ao acreditar em afirmações não científicas e não comprovadas, as pessoas podem simplesmente tentar curas prejudiciais ou não seguir orientações oficiais, correndo mais risco de se infectar e de espalhar o vírus.

 

Informação errada pode matar, Presidente!

37% de tudo o que foi publicado tinha como fonte informações errôneas ou falsas que o Presidente Donald Trump divulgou sobre a Covid-19 – e, com isso, ele ganhou o título de “maior impulsionador de desinformação ‘infodêmica’ da doença”. A recomendação do presidente para que as pessoas ingerissem desinfetante foi o fato que gerou mais desinformação na mídia.

Naturalmente, se essa pesquisa fosse mundial e em diversos idiomas, Trump não ocuparia mais de um terço desse resultado. Porém, por enquanto, é o que temos.

Mas o resultado não fica melhor para lado algum: a pesquisa constatou que só 16% das publicações de desinformação na mídia foram corrigidas, mencionadas ou depois checadas; a grande maioria do que saiu errado ficou errada.

Nas conclusões, o trabalho traz uma informação assustadora: em pandemias passadas, como na de Aids, estimou-se que a desinformação e seus efeitos sobre as políticas teriam levado a mais de 300 mil mortes adicionais somente na África do Sul. Sim, mentira pode matar.

 

Não caia em fake news

Atualmente, não podemos confiar em ninguém – nem nas tias do grupo do WhatsApp, nem no Presidente dos Estados Unidos.

Então, a solução antes de compartilhar qualquer informação que você leia ou receba de alguém, é checar – essa atividade, antes restrita aos jornalistas, deve ser adotada por todos. Se todo mundo se tornou um disseminador de informação a conta das redes sociais, então deve também saber como verificar:

  • Copie o título do que recebeu e cole no Google. Veja onde mais a notícia foi publicada;
  • Há sites que já têm histórico de processos por fake news; você pode se informar sobre quais são e já não abrir mais a notícia, quando ver que ela vem deles;
  • Utilize os sites e agências que fazem esse trabalho por você: Agência Lupa (a primeira agência específica para isso que surgiu no Brasil); Fato ou Fake (de jornalistas do Grupo Globo); Agência Pública (formada só por mulheres jornalistas); e o site E-Farsas (que faz isso desde 2002).

Outras dicas legais:

  • As meninas da Agência Pública destacam na home tudo o que andam lendo – ótimas fontes e notícias diferenciadas!;
  • A Agência Lupa se uniu ao Porta dos Fundos e criou a divertida Agência Loki, “para ampliar a conscientização sobre a indústria da desinformação”. O slogan deles é “Não compartilhe tudo o que você vê”. Tem um vídeo apresentando o projeto.